Catequéticas Fundamental, Pedagogia Catequética, Meios de Comunicação Social, Biblia e Jesus Cristo- ISCRA - Aveiro. Espaço de partilha e saber sistemático

Segunda-feira, 1 de Setembro de 2008

Elementos de Metodologia

Objectivos:- Utilizar meios adequados à transmissão de fé.- Tornar dinâmica a educação da fé.- Proporcionar uma melhor compreensão dos conteúdos da fé.
Desenvolvimento:
A diversidade de métodos está ao serviço da revelação e da conversão apoiado na pedagogia divina
A Transmissão da fé na catequese é um acontecimento de graça, realizada pelo encontro da palavra de Deus com a experiência da pessoa.
Nesta transmissão da fé, a Igreja não possui um método próprio nem único, mas à luz da pedagogia de Deus discerne os métodos de cada tempo, assume com liberdade de espírito tudo o que é verdadeiro, tudo o que é virtuoso; assume todos os elementos que não estão em contradição com o Evangelho e coloca-os ao seu serviço. Discerne os métodos - segundo a idade e a caminhada dos destinatários.

Relação Conteúdo - Método
Existe uma necessária relação e interacção entre o conteúdo e o método. Pois o catequista sabe que o conteúdo da catequese não é indiferente a qualquer método, mas exige um processo de transmissão adequado à natureza da mensagem, às suas fontes e linguagens, às circunstâncias concretas da comunidade eclesial, à condição de cada um dos destinatários a quem se dirige a catequese.
“O princípio da ‘fidelidade a Deus e à pessoa humana’ leva a evitar toda a contraposição ou separação artificial, ou ainda a presumível neutralidade entre método e conteúdo, afirmando, pelo contrário, a sua necessária relação e interacção. O catequista reconhece que o método está ao serviço da revelação e da conversão e, portanto, é necessário servir-se dele. Por outro lado, o catequista sabe que o conteúdo da catequese não é indiferente a qualquer método, mas exige um processo de transmissão adequado à natureza da mensagem, às suas fontes e linguagens, às circunstâncias concretas da comunidade eclesial, à condição de cada um dos fiéis a quem se dirige a catequese” (DGC 149).
Pela sua importância, tanto na tradição, como na actualidade catequética, merecem ser recordados os métodos de aproximação à Bíblia, métodos ou pedagogia do documento, em especial a transmissão, uma vez que a catequese é transmissão dos documentos da fé, os sinais litúrgicos e eclesiais, Sagrada Escritura, liturgia, os Padres da Igreja e os métodos próprios dos meios de comunicação.
Um bom método catequético é garantia de fidelidade ao conteúdo de acordo com a história da catequese, onde se destaca o catecumenato (Cf RICA).
Fala-se hoje, habitualmente da via indutiva e da via dedutiva.

Via indutiva
Esta consiste na apresentação de factos (acontecimentos bíblicos, gostos litúrgicos, acontecimentos da vida da Igreja, e da vida quotidiana...), com o objectivo de discernir o significado que eles podem ter na revelação divina, chegar ao conhecimento das coisas inteligíveis através de coisas visíveis, levando o catequizando a atingir o mistério da sua vida.

Via dedutiva
Explica e descreve os factos a partir das suas causas mas a via dedutiva só terá pleno valor quando tiver presente o processo indutivo.
Em si mesmos são processos legítimos se forem respeitadas todas as regras, o mistério da graça e o dado humano, a compreensão da fé e o processo de inteligibilidade.

A Experiência Humana na catequese
Funções:
- Faz nascer na pessoa interesses, interrogações, esperanças e sonhos. Reflexões e juízos que conferem um certo desejo de transformação à existência;
- Favorece a inteligibilidade da mensagem cristã;
- As funções agora expostas ensinam que a experiência assumida pela fé se torna de certo modo âmbito de manifestação e realização da salvação, sendo aí que Deus alcança a pessoa com a sua graça e a salva.

O catequista deve ajudar a pessoa a ler a própria vivência nesta perspectiva, a descobrir o convite do Espírito Santo à conversão, à esperança. E assim descobrir cada vez melhor o projecto de Deus na sua própria vida.
Torna-se uma tarefa estável da pedagogia catequética iluminar a experiência como dado da fé, que é anúncio dos profetas, a pregação de Cristo e o ensino dos Apóstolos, que é o percurso da Igreja.
Por isso constituem o critério fundamental a seguir para cada encontro entre fé e experiência humana.

Memória
A catequese está vinculada à “memória” da Igreja que manteve viva entre nós a presença do Senhor. O exercício da memória é um elemento construtivo da pedagogia da fé.
As principais fórmulas da fé devem ser especialmente consideradas como objecto de memorização.
É preciso porém que tais fórmulas sejam propostas como síntese (Símbolo apostólico, Pai-Nosso, Ave-maria...).
O essencial é que os textos memorizados sejam ao mesmo tempo interiorizados e compreendidos.
Este processo favorece uma melhor participação da verdade recebida, o que facilita uma resposta pessoal.

3 Intervenientes no processo catequético
O Catequista
“Nenhuma metodologia pode dispensar a pessoa do catequista, em cada uma das fases do processo catequético, por mais experimentada que essa metodologia possa ser. O carisma que lhe é dado pelo Espírito, uma sólida espiritualidade e um transparente testemunho de vida, constituem a alma de todo e qualquer método, e só as qualidades humanas e cristãs do catequista garantem o bom uso dos textos e de outros instrumentos de trabalho.
O catequista é, intrinsecamente, um mediador que facilita a comunicação entre as pessoas e o mistério de Deus, dos sujeitos entre si e a comunidade. Por isso, deve empenhar-se, a fim de que a sua visão cultural, a sua condição social e o seu estilo de vida não representem um obstáculo para o caminho da fé, criando antes as condições mais adequadas, para que a mensagem cristã seja procurada, acolhida e aprofundada.
O catequista não deve esquecer que a adesão crente das pessoas é fruto da graça e da liberdade e, portanto, faz com que a sua actividade seja sempre amparada pela fé no Espírito Santo e pela oração. Enfim, a relação do catequista com o destinatário da catequese é de fundamental importância. Tal relação constrói se através de uma paixão educativa, de engenhosa criatividade, de adaptação e, ao mesmo tempo, de máximo respeito pela liberdade e pelo amadurecimento da pessoa. Através deste sábio acompanhamento, o catequista realiza um dos serviços mais preciosos da acção catequética: ajuda os destinatários da catequese a discernirem a vocação a que Deus os chama” (DGC 156).
A sua actividade e a criatividade durante o processo de formação catequético, assumem o compromisso de viver activamente a fé, a esperança e a caridade, de adquirir a capacidade e a rectidão do juízo crítico de reforçar a decisão pessoal de conversão e de prática cristã.

O Grupo
A comunidade cristã tem de ser referência concreta e exemplar para o caminho de fé de cada pessoa. Isto na medida em que é fonte, lugar e meta da catequese.
O grupo desempenha uma função importante no processo de desenvolvimento das pessoas. O grupo cristão, para além de ter uma dimensão didáctica, é chamado a ser uma experiência de vida eclesial, encontrando na Eucarística a sua meta e a sua manifestação.


Síntese:
- Na transmissão da fé, a Igreja, à luz da palavra de Deus, discerne os métodos de cada época e de cada tempo. Coloca-os ao serviço do Evangelho, tendo como objectivo a educação da fé;
- Os intervenientes do processo catequético são elementos que podem favorecer a mensagem com mais clareza e a uma melhor assimilação dos conteúdos da fé.

Dinâmica:
Cântico à escolha.
Trabalho de grupo: tendo em conta uma sessão de catequese (texto), refira os elementos de metodologia presentes na referida sessão de catequese.
Plenário.

Textos de referência:
DGC 148-162.
CT 31.51.55.R.I.C.A. (Ritual da Iniciação Cristã de Adultos), Preliminares.
em Departamento Arquidiocesano de Catequese 5 Outubro 2007

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