Catequéticas Fundamental, Pedagogia Catequética, Meios de Comunicação Social, Biblia e Jesus Cristo- ISCRA - Aveiro. Espaço de partilha e saber sistemático

Terça-feira, 17 de Junho de 2008

Catequese, Elenira Aparecida Cunha

O que é catequese?
Catequese é fazer ecoar o que vem do alto. A catequese tem o objectivo de instruir, informar, transmitir, ensinar de viva voz; portanto: “Catequese é um processo dinâmico e abrangente da educação da fé, da doutrina cristã, a fim de iniciar na plenitude da vida cristã e ajuda as pessoas a se encontrarem com Cristo e a caminhar com Ele. Catequese é o aprofundamento da fé daqueles que já se converteram, mas sentem necessidade de conhecer mais detalhadamente a pessoa, o ensinamento e a prática de JESUS”. Ela busca sempre unir fé e vida, ajudando as pessoas a crescer segundo a vontade e os projectos de DEUS. Portanto catequese não é um curso que tem fim. Devemos, cada vez mais, buscar conhecimentos ligados à nossa muito amada Igreja Católica. Nós entramos para a catequese para conhecer e amar a DEUS.
Catequese é formação de discípulos consciente de Cristo. Hoje estamos iniciando a etapa da catequese para preparação para receber o Baptismo, Crisma e a Sagrada Eucaristia para alguns e a Sagrada Eucaristia para outros.
Oração do Catequista Deus, Pai de bondade, na força do teu Espírito, ajuda-me a assumir, com coragem e entusiasmo a missão de catequista na realidade em que me colocaste. Faz-me viver, em profundidade, o encontro transformador com Jesus Cristo, para que, assim, possa suscitar em muitos o amor apaixonado pelo Mestre e por seu estilo de vida. Ensina-me a abraçar a catequese como espaço privilegiado de vivência comunitária, de modo a contribuir para que nossa Igreja se torne, cada vez mais, lugar de comunhão e participação. Concede-me a graça de ser profeta a serviço de tua Palavra e nela encontrar inspiração para conduzir o teu povo a uma autêntica experiência religiosa. Meu testemunho cristão seja de tal modo coerente que contagie os catequizandos e suas famílias e envolva toda a comunidade num processo permanente de amadurecimento na fé. Renova minhas motivações na busca de uma catequese libertadora, sensível ao jeito e às necessidades de nossa gente, capaz de ligar fé e vida e de caminhar com os mais pobres, favorecendo a formação integral de todas as pessoas. Dá-me a disposição necessária para preparar-me sempre melhor e cumprir, com generosidade e perseverança, a exemplo de Maria, o serviço que me confias. Assim seja!

Sobre a Catequese.
A reflexão e estudo sobre a catequese A catequética é a ciência que tem em consideração a catequese, entendida como educação da fé: é uma ciência que pertence ao âmbito da praxis pastoral da Igreja. É legítima e está consolidada no âmbito da reflexão e da prática eclesial. É a reflexão sistemática e científica sobre a catequese com o objectivo de compreender, aprofundar e direccionar essa acção educativa e pastoral. Ela se ocupa da catequese na variedade de suas manifestações: ensino, reflexão comunitária, iniciação sacramental, itinerário organizado da fé e tudo quanto diz respeito à educação da fé pessoal e comunitária. São inúmeras as possíveis conceituações de catequese, mas em geral podemos descrevê-la como a arte de transmitir a fé ou acção eclesial através da qual educa-se a fé ou educa-se para a fé. De fato, tomando-se em consideração sua origem etimológica podemos dizer que catequese é a actividade através da qual se comunica, no sentido mais estrito do termo, todo o património de fé da Igreja, seja do ponto de vista da experiência da fé, seja a partir de seus aspectos intelectuais. É assim que se pode traduzir para a actualidade o significado literal do catequizar, ou do fazer ecoar, do katá-ekhein grego. É sabido que a actividade catequética foi organizada na Igreja desde sua idade mais primitiva, uma vez que a catequese é tão antiga quanto a própria Igreja. Entretanto, esta acção raramente esteve atrelada a uma reflexão explícita sobre seus conteúdos e métodos. De fato, podemos citar apenas duas obras de referência para todo o período anterior a idade moderna: o De catechizandis rudibus de Santo Agostinho e o Tractatus de parvulis trahendis ad Christum de Jean Gerson. É impressionante o fato de sabermos que mesmo Santo Agostinho embora tenha se dedicado com ardor à catequese e sendo homem de letras, grande escritor e teólogo, tenha se debruçado apenas uma vez para reflectir sobre a catequese e mesmo assim, o fez a partir de uma perspectiva metodológica e a pedido de outrem. De fato, não parece ter havido um interesse teórico sobre a catequese antes de 1774 e é possível que isso se deva ao fato de que à diferença da teologia, a catequese em todos os tempos da história da igreja não pôde se dar ao luxo de ser meramente teórica, mas dela se exigia uma resposta imediata e prática. Isso fez da catequética uma ciência de dupla pertença oscilando entre a teologia, em razão de seu carácter querigmático, e a pedagogia devido ao seu aspecto educativo. Pode-se assim dizer que a catequética possui duas almas: uma teológica e outra pedagógica e essas aparecerão com maior ênfase segundo a realidade histórica ou a tendência catequética dominante. Historicamente falando foi o nascimento e desenvolvimento do denominado movimento catequético, ocorrido entre o final do século XIX e o Concílio Vaticano II, que influenciado pelas correntes culturais dessa época deu fecundidade e expansão à catequética, possibilitando uma nova reflexão e revisão da catequese. Desde então surgiram diversos centros e institutos de catequética, de publicações e pesquisas nesse campo e, sobretudo, a institucionalização da catequética no âmbito académico. 2.
Identidade e divisões da catequética.
A identidade da catequética resulta do objecto do qual ela se ocupa, da catequese na variedade de suas manifestações, mas se desenvolve num terreno semeado de muitas tensões. Tensão entre fidelidade a Deus e fidelidade ao homem, entre pedagogia divina e pedagogia humana, maturidade cristã e maturidade humana; conteúdo e método, dimensão teológica e pedagógica da catequese, carácter científico e sapiencial da catequese, ciência e arte da catequese, teoria e praxis, reflexão e acção; entre nível empírico e científico do planeamento e da realização da catequese. Na verdade, preocupando-se a catequética com o ser humano em sua integralidade não pode fugir das tensões dialécticas porque essas são inerentes à mesma realidade. A catequética, de facto, tem como princípio uma antinomia fundamental: fidelidade a Deus e fidelidade ao homem. E é, sem dúvida, essa dupla fidelidade que se traduz muitas vezes em fonte de exigências contrapostas, mas não inconciliáveis. Também em razão da complexidade e amplitude do objecto estudado pela catequética, ela admite em seu seio divisões e modalidades que podem levar a distinção entre catequética fundamental, material e formal.
Por Catequética Fundamental entende-se o estudo das condições e dos pressupostos de base da acção catequética, sua identidade e dimensões fundamentais. A Catequética material, por sua vez, tem como objecto os conteúdos da comunicação catequética como estrutura e articulação da mensagem, temas, critérios de escolha e fontes do conteúdo. Enquanto a Catequética formal trata dos aspectos propriamente metodológicos e pedagógicos da transmissão ou mediação catequética, seus métodos, estruturas, agentes, linguagens e programação. Alguns autores distinguem apenas entre catequética fundamental ou geral e catequética especial ou diferencial, relativa aos diferentes destinatários da catequese, segundo a idade, a condição, aos âmbitos ou lugares da catequese.
Outro elemento distintivo da catequética relaciona-se com a pluralidade de métodos utilizados no seu desenvolvimento que vão desde técnicas de conhecimento e análise da realidade, a instrumentos hermenêuticos de interpretação; de métodos de planeamento e organização, a técnicas de expressão e sistemas de avaliação. E isso ocorre porque a catequética configura-se com um saber multidisciplinar ao orientar a catequese para uma interdisciplinaridade que leve a uma interacção e diálogo entre os diversos processos disciplinares envolvidos na reflexão catequética. Esse diálogo interdisciplinar se realiza, sobretudo, com a teologia que fornece os conteúdos fundamentais da catequese, mas também com a filosofia que fornece os instrumentos hermenêuticos de interpretação. Mas, uma vez que a catequética focaliza-se sobre o sujeito, a pessoa humana na sua situação, sua dimensão histórica e cultural, interessa-lhe toda e qualquer contribuição capaz de iluminar sua acção efectiva: antropologia cultural, sociologia, psicologia, ciências da religião e ciências da comunicação entre outras.
3. A catequética enquanto disciplina, a catequética é uma actividade relativamente recente porque surgiu e se configurou a partir do século XVIII. Foi em 1774 que pela primeira ela foi tratada como tal nas escolas de teologia do império austro-húngaro, por iniciativa de Maria Teresa de Áustria e do abade beneditino Estar entre a teologia e a pedagogia constitui-se em uma riqueza e revela a complexidade do ato catequético, mas é também uma fonte de tensão e de discordância no desenvolvimento desta disciplina tratada ora como pedagogia religiosa, ora como catequética, juntamente com tantas outras expressões de significado idêntico ou semelhante, tais como: pedagogia catequética, pastoral catequética e catequética pastoral entre outros. Enquanto disciplina teológica, a catequética pertence ao âmbito da reflexão teológica em razão da própria natureza do ato catequético que se insere no contexto das actividades pastorais e se qualifica como serviço da palavra eclesial para a educação da fé. Ela é pensada no quadro da teologia pastoral porque nascida em seu seio. Mas como disciplina pedagógica, a catequética encontra sua sistematização no âmbito das ciências da educação. E esse carácter particularmente pedagógico da catequética se evidencia quando se considera o duplo aspecto da catequese: processo educativo de amadurecimento na fé e actividade que se insere necessariamente no dinamismo global do crescimento e do amadurecimento da pessoa. Por isso a catequética pode tanto ser chamada de ciência pedagógica, quanto de ciência teológica.
4. Originalidade e especificidade do ato catequético. Pode-se dizer, portanto, que a catequética está para a catequese assim como a teoria está para a prática e, neste sentido, a catequética estando no nível da reflexão científica aponta para a necessidade de salvaguardar a originalidade da acção catequética para que essa não se limite a divulgação popular de conteúdos teológicos. Como reflexão sistemática sobre os dados da fé e sobre a praxis da Igreja, a catequética desempenha uma função de aprofundamento, sistematização e ligação com a tradição que não pode ser ignorada, mas como acção catequética, ou catequese, mais do que transmitir sínteses teológicas ocupa-se com o crescimento da fé de pessoas e grupos concretos, através de um caminho de integração da mensagem cristã com suas exigências, problemas e expectativas.
Assim, pode-se elucidar essa realidade com a seguinte comparação: a teologia é estudo e reflexão sobre a palavra de Deus, a catequese é actualização e comunicação da palavra. Enquanto teólogo, o catequista propõe a fides quaerens intellectum como experiência pessoal, fides qua, adesão ao Deus da fé que se busca compreender e em seguida propõe o aprofundamento dessa experiência, fides quae, para que a mesma seja alimentada, desenvolvida e educada. Portanto, a catequética interage para que seja possível a passagem da escola de reflexão, teologia, para a escola de conversão, catequese.
Elenira Aparecida Cunha

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