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Terça-feira, 29 de Janeiro de 2008

O Grupo – Psicologia pedagógica, Maria Dolores Santos

Unidade didáctica 1

Tema: O Grupo – Psicologia pedagógica

O autor Werner Correll apresenta uma introdução sistemática à psicologia pedagógica, e expõe as relações básicas entre pedagogia e psicologia, por meio de ensinos práticos dos métodos mais modernos. Estuda a personalidade individual do aluno, a sua tipologia, os seus conflitos, as suas tendências... Lança uma ponte entre a investigação psicológica e a prática pedagógica. É de suma importância para os professores e educadores conhecerem profundamente os alunos e assim os poderem guiar.

Em relação a uma classe escolar ele a explica como sistema psico-social, ou , ou seja, a existência de um grupo, que consta de membros singulares e que estão todos em relação directa uns com os outros. Só quando cada aluno comunica com cada um dos outros alunos e o professor por sua vez com cada aluno, então é que estará constituído o grupo.
Um sistema psico – social é pois o conjunto das relações recíprocas , das actividades e reforços que existem no grupo durante um certo tempo.

Os elementos do sistema psico-social
1- A actividade, isto é, o que se passa num grupo de crianças de escola, todo o trabalho que se realiza, o comportamento delas, o modo de trabalharem a matéria de ensino e o seu comportamento nas relações com o professor. Por outras palavras, a actividade compreende neste sentido, tudo aquilo que diz respeito à classe, porque cada uma destas dimensões condiciona uma certa forma de actividade no grupo de trabalho.
2- Relação recíproca entre os seus membros. Isto quer dizer que toda a actividade de cada um dos membros do sistema é condicionada pela actividade de um outro membro e ao contrário, que todo e qualquer membro do grupo faz, determina simultaneamente o comportamento de todos os outros membros do grupo. Esta relação recíproca entre os membros de um grupo apoia-se por sua vez no sistema de reforço comum dos membros do grupo. No entanto numa classe é difícil constituir um só grupo, porque neste caso não é possível nenhuma relação recíproca de todos os membros entre si. Por isso formam-se nas classes sub-grupos de relações de amizade e de hostilidade. O que num grupo é experimentado como reforço, no outro pode ser sentido como não reforço. Por isso para o professor é muito importante manter um olhar válido para as relações de grupos existentes na sua classe. E como estas relações, como se sabe, não são constantes, esta averiguação tem de ser feita repetidas vezes, através de dinâmicas de relação, que podem ser jogos ou questionários .É muito importante que o professor preste particular atenção àqueles alunos que não pertencem a nenhum grupo, ou porque são repelidos pelos seus colegas, ou porque não lhes prestam atenção quando eles , da sua parte desejariam ter um grande número de amigos ou julgam tê-los. Com muito tacto tem de se procurar conseguir anexa-los a um grupo já existente, pois sem uma tal introdução num grupo, estas crianças não podem desenvolver plenamente a sua personalidade e serão também prejudicadas na sua capacidade de rendimento.
3- A norma a que se sujeitam os membros de um grupo, a qual não é imposta de fora, mas criada pelos membros do grupo, porque se mostrou para eles de «grande valor». O valor da norma , para o grupo acha pois a sua expressão sobretudo pelo facto de os membros do grupo poderem conseguir por meio dela, reforços seguros.
O grupo como tal será tanto mais forte , quanto mais for capaz de realizar trabalhos em comum...
Definimos pois a norma como aquilo que cada membro do grupo espera dos outros quanto ao comportamento que seguirão.

Num grupo devem ser também reconhecidas funções especiais que constituem excepções às formas de comportamento reguladas pela norma. A função mais importante na classe é a que deve assumir o professor. O aluno espera dos seus colegas uma certa observância das normas gerais, na medida em que estas pertencem de facto ao grupo de que se trata, mas também espera que o professor desempenhe com honra o papel que lhe incumbe de «árbitro universal» de classe, que fomente o estudo, que o vigie e regule, que julgue e que seja justo, que elogie e que repreenda.
Investigações deste tipo correspondem ou pertencem à psicologia do desenvolvimento e à psicologia pedagogico-social, pois contribuíram não só para uma melhor compreensão das diversas idades, mas também para a convivência das crianças nas diversas classes da escola.
Maria Dolores Santos

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